Debaixo de um teto, entre quatro paredes. Ela se deita no sofá e olha pra cima, como se aquilo fosse lhe trazer alguma resposta. Ouve o barulho da geladeira que puxa energia, o tic tac lento e entediante do relógio, o silêncio absoluto. Memórias trazendo os segundos mais marcantes de longos anos, como um flash. Rostos que passam vagamente na memória, assim como o som das vozes, e o cheiro.
Vento que bate sob a porta e esfria os pés, braços e pernas que ainda descobertos estão. Ora ela vira pra direita, ora pra esquerda. Inquieta, permanece no sofá, evitando movimentos que resultem em mais barulhos. Deseja viver sozinha, pra não mais ter de controlar seus movimentos. Pra andar de qualquer jeito dentro de casa, sair sem ter hora pra voltar, ou um alguém pra se explicar. Arrumar a própria bagunça, ter o prazer do sentimento de liberdade e responsabilidade.
A menina ingênua, tão só se vai, sem olhar ao seu redor. Desmerecimento a todos que estão em sua volta. Méritos ao acaso que se faz presente. Não encontrou respostas no teto, levantou-se e dirigiu-se pra cama.. como todas as outras noites. A rotina é essa, o dia-a-dia está entrelaçado e o destino, tão imprevisivel, não dá chances de imaginar o que tem pra hoje, ou amanhã. E essa foi a única coisa que o teto da sala soube dizer.