terça-feira, 22 de março de 2011

- angustia.

Sinto que me enganei. Nada é tão fácil quanto parece ser. Impus a minha mente o esquecimento.. errando ao lembrar de esquecer. Por ora,já não me sinto tão bem quanto antes, mas sei que vai passar. Batidas lentas e desanimadas pulsam pelo corpo; apelo pro começo. Tenho medo do fim; não quero me arriscar a ponto de esperar o desfecho disso tudo. Não estou disposta a esquecer - embora queira. E aqui vou me contradizendo.
Sigo invejando o vento que lhe toca quando bem entende; a roupa que se agarra ao corpo como velcro; o perfume que fixa no pescoço e não sai.. hoje os sentimentos sairam do controle. Todos cairam, lançaram-se ao chão. Não sei reorganizar meus passos. Hoje perdi a direção, então resolvi parar onde estava.
Venho outra vez, prostrando-me, pedir que me deixe ir. Jurando de pé junto não suportar mais a ordem das coisas. Imploro pela liberdade, pela intensidade, pelo novo. Eu quero outro brilho nos olhos. Cansaço dominando todos os membros possiveis, paralisando todo o movimento das minhas asas. Rogo por aventura, rogo pela noite.
O problema é, que de alguma forma, acredito que ainda não chegou ao fim.

Não sei como ir, sem me despedaçar.
Não sei como pode ir, sem se despedaçar.

domingo, 20 de março de 2011

- eu, ego, egocentrismo, auto-suficiência, etc

Egoísmo. Juntando mãos e pés.. persuadindo uma cabeça. Imposição do eu. Eu sem nada; um eu tão insignificante quanto.. ah! que já tornou-se de praxe pensar somente em mim.
Eis que me tranco numa bolha, e que, de lá, não saio, se não for do meu interesse. Egoísmo? Egocentrismo? Narcisismo? Que raios que a vida nos trouxe?
Onde a ignorância, estupidez, hipocrisia e incompreensão atingiram o ápice. Topo da indiferença. Eu - centro - eu.
E mais uma vez, essa sou eu.. fazendo uso do eu. Vivo sozinha, amo sozinha, satisfaço-me sozinha, rio sozinha.. sou auto suficiente. Sou ego. Sou só. Sou eu.

- um dos embalos de sábado a noite..

- Quanto mistério numa só noite. E aquela indecisão, sem saber se devo ir ou ficar. Incapacidade de se dispor a correr riscos. Abro mão do espírito aventureiro e, a carne, fica na vontade. Curiosidade. É provar o diferente, saber qual o gosto do oposto. É sentir um outro cheiro. É se apaixonar mais uma vez. É dizer pra si mesmo que é capaz.
Momento de gente grande. Brincadeira.. é o que o corpo faz com a batida da música.. jogo de sedução. Desejo incontrolável tomando pelas veias e pela pele toda a coragem.
Agora eu entendo o que acontece. Luzes apagando, música boa e alta.. desabafo geral. Desde o pé até o ultimo fio de cabelo. Explosão entre os braços e as pernas, lançando ao ambiente toda dor, todo desconforto, todos os sentimentos.
Ela é linda.. mas não tem nome.

terça-feira, 15 de março de 2011

- o que se espera do amanhã

- E mais uma vez, a menina levanta; outra briga com a vida. Hoje o esforço é pra esquecer, todo amor e toda mágoa. O fluxo das coisas mudaram, de forma brusca e inesperada.. como se a terra decidisse acabar agora, sem mais nem menos. Depois de buscar uma explicação, o cansaço subiu, atingiu o ápice de tudo, fez com que aquele lance de auto-estima caísse, como uma moeda lançada do vigésimo nono andar.
"- Ah, que já não suporto mais o mal do amor! Por tempos estive com vendas nos olhos, mas isso há de mudar. Nada é como antes, resta o eterno ou o que há de vir. Seja o que for, será melhor que antes e inferior ao depois."
Lamentos e lamentos, no outro dia a mente deu olá para a mais agitada melodia. E as frases musicais ocuparam o outro lado vazio. Uma mistura de tudo. O desabafo de Lenine, querendo sair só, com o de Tico Santa Cruz, alegando viver sem "você".
A menina dança, ri, chora.. e sorri. A vida é longa demais pra um só amor. E se for o segundo, quer dizer que vem o terceiro. Ansiosa, a menina espera a brincadeira do vento de levar e trazer.. espera que o vento traga o que realmente há de vir.. aqui, e ali, pra ser feliz.

sexta-feira, 11 de março de 2011

- depois de cair..

Depois de cair, a tendência é levantar, porque do chão ninguém passa. Um hematoma aqui, outro ali, ainda dá pra sair vivo. Mais forte que as dores são as lembranças dos momentos antecedentes a queda. Cada sorriso, todo brilho no olhar.. não há dor no mundo que consiga extinguir tanta coisa boa. O coração e a mente tornam-se objetos intactos a qualquer impacto rotineiro. As outras dores melhoram quando o sorriso é derivado delas. Ironico é tropeçar e rir do tropeço.. estranho é rir ao invés de chorar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

- o julgamento.

"Abaixe a cabeça, as orelhas: eis seu julgamento. Vos declaro culpada por amar, por se apaixonar. Por colocar o amor em frente a tudo, por abrir seu coração pra uma paixão impossivel, por pensar só em si e em seu amor. Vos declaro culpada também, pelas noites em claro, tentando achar as respostas no teto do quarto. Pelas madrugadas ouvindo musicas melancólicas e escrevendo, como se fosse Lispector, Shakespeare, Exupery ou simplesmente um mortal que não é intimo das palavras. És culpada também por demonstrar tanta paixão, somente os tolos o fazem.
Depois de tantas acusações, vos declaro culpada por amar."

quarta-feira, 2 de março de 2011

- antes de amanhã começa..

Sem disposição, ela levanta de cama e quer começar o dia. Não há sorriso no rosto; o mal humor reflete nos olhos encolhidos pela luz, e as mãos são levadas a cabeça, arrumando levemente o cabelo. Calça o all star sujo, a camisa amassada. Rosto lavado, peito estampado, a briga é com o mundo. Indiferente com os padrões sociais, ela caminha com a mão no bolso, com o Indie do lado direito e a mochila quase vazia nas costas. O céu cinza lhe arranca o sorriso - admira o excesso de nuvens encobrindo o sol e o vento gelado que toca o rosto levemente - isso faz com que seu primeiro telefonema seja pra sua paixão.
- Bom dia! - Esquecendo que já passa da 1h.
O resto do dia é, tão normal quanto o de um trabalhador qualquer. Compete com o monstro pelo mérito, como é de praxe. Compara o tempo gasto no trajeto de casa ao trabalho, do trabalho até a casa. Tem a cabeça ocupada pelo amanhã; pergunta a si mesmo quanto tempo o coração é capaz de suportar.
A menina não tem nome, nem sobrenome. É só mais uma em um milhão, mas seus olhos brilham diferente, e sua mente se amplia cada dia mais. Amanhã ela achará um novo propósito e, talvez algo novo lhe chame a atenção. Bem, amanhã é outro dia, e a vida é tão imprevisivel como a direção do vento.